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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Jesus e a não-religião




Cada vez que olho para a igreja evangélica moderna o sentimento que meu coração mais manifesta por ela é este: Dó, PENA.

O religioso evangélico moderno não crê definitivamente em Jesus e em sua mensagem, por isso está tão íntimo de Deus quanto um polvo abandonado no solo seco do deserto do Saara. Compreende tão bem as palavras do Mestre quanto um cachorro estudando física nuclear. E se empenha tanto na missão de Cristo quanto uma criança mimada frente a um prato de jiló.

A religião tem sido, séculos a fio, exatamente a responsável por nos anestesiar das verdades proclamadas pelo evangelho de Cristo. Nos preocupamos com o dízimo, e não ajudamos os necessitados; nos atemos à música e não vivemos uma vida de adoração; estudamos exaustivamente a teologia, e não vivemos a vida de Cristo.

Paulo disse a Timóteo q todo aquele que deseja piamente seguir a Jesus, SOFRERÁ PERSEGUIÇÕES. A religião, por outro lado, busca a cada dia se tornar mais ACEITÁVEL do ponto de vista secularizado. Ou então, quando foi a última vez que você ouviu um pregador que anunciava do púlpito as palavras de Jesus:

"Quem não aborrecer pai, mãe, e até a si mesmo, não pode ser meu discípulo"

"Todo aquele que dentre vós não renuncia TUDO quanto tem NÃO PODE ser meu discípulo"

"Arrependei-vos pois é chegado o Reino dos Céus"???

Simples. A religião não prega estas palavras porque a religião não tem parte com Cristo.

Tenho ouvido de alguns irmãos que devemos preservar nossas raízes religiosas, seguindo o exemplo de Cristo, que não deixou de ser judeu. Ta certo, Jesus não abandonou o judaísmo no qual nasceu, porém ele não se calou diante da opressão dos sacerdotes, antes pôs o dedo na ferida da religião, ao ponto deles o matarem.

O que mais me intriga é que os judeus buscavam um messias que os livrasse do jugo político romano, porém Jesus surge como o messias que intenta livrá-los do jugo religioso, ou seja, deles mesmos.

Afinal, o que Jesus queria dizer quando falava "Ouviste o que foi dito por Moisés.... Eu porém vos digo...?". A verdade é que não dá pra conciliar religião e Jesus. O Sermão da Montanha (Mateus 5, 6 e 7) deixa isso muito evidente.

Nessa passagem Jesus diz que se alguém fosse um bom judeu, deveria apedrejar sua filha que perdeu a virgindade antes do casamento. É o que diz a religião. Se alguém fosse um bom judeu, deveria odiar seus inimigos. Mas se alguém quer ser um discípulo de Jesus ele deve amar ao seu próximo, e também seus inimigos. Orar por quem o persegue. Ser sal e luz por onde passa, expalhando as boas novas e o amor de Deus!

Veja bem, se eu tenho algo que não me serve, para que continuar com ele? Se eu sei que aquilo só está servindo para atrapalhar e normatizar negativamente minha relação com Deus, para que eu sigo aquelas regras?Jesus foi absolutamente contra as práticas religiosas. E atacava a religião até mesmo no patio do templo, onde costumava reunir-se com os seus discípulos.

Que diriam se um profeta mais exaltado levasse um chicote a um certo "encontro gideônico", em Santa Catarina?

A religião é o próprio erro humano. O esforço para alcançar a Deus por nosso mérito. Isso é simplesmente impossível. Mas a bíblia ensina que foi o próprio Deus quem fez o caminho de retorno, nos religando ao Pai. Por isso a graça nos alcançou.

Se por um acaso a religião nos faz seres humanos melhores (e eu sinceramente duvido muito) é para nos gabarmos do que somos, e diminuirmos nosso próximo. É isso que a história da religião nos mostra. Nesse contexto, a missão de qualquer discípulo de Jesus que esteja engajado em alguma religião deveria ser unicamente de abrir os olhos dos fiéis para a verdade, que é NÃO HÁ SALVAÇÃO NA RELIGIÃO.

Glória a Deus pq o Reino dos Céus chegou a nós... Não apenas como uma esperança de um dia desfrutarmos do paraíso na eternidade, mas como uma vida abundante de adoração prática, capaz de impactar a sociedade em que vivemos.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Eu nunca fui evangélico

Tenho a impressão de que desde que decidi seguir a Jesus (aos 4 anos de idade) sempre fui ensinado que evangélicos, católicos, kardecistas, judeus, muçulmanos são apenas religiosos, e que professar uma fé não significa absolutamente que alguém está ou não mais perto de Deus.

Sempre fui ensinado que não estaria entregando minha vida à religião, e que não éramos definitivamente uma "igreja evangélica". Éramos (e ainda somos) um grupo de discípulos de Jesus Cristo.

Biblicamente falando, a palavra "evangélico" não aparece nenhuma vez nos "evangelhos" (por mais estranho e controverso que isso possa parecer) para designar aqueles que viviam e proclamavam as boas novas.

A palavra CRISTÃO (que aparece 3 vezes) surge um xingamento usado pelos judeus que não criam que Jesus havia ressuscitado a fim de desestimular a fé daqueles que se achegavam a Deus através de Jesus. Era como dizer: "Vocês seguem àquele mestre judeu que se dizia rei e foi crucificado? O fim de vocês vai ser o mesmo dele, serão derrotados e expostos vergonhosamente".

A palavra CRENTE aparece 9 vezes, mas na maioria delas não se refere a uma "nomenclatura", mas a um adjetivo. Como quando Jesus diz a Tomé para não ser INCRÉDULO, mas sim CRENTE (João 20:27). Isso não significa que Tomé deveria aderir a um determinado grupo religioso que se denominaria como "crente", mas que ele crêsse em Jesus e em suas palavras. Ou seja, numa tradução livre, Jesus teria dito algo como: "Tomé, você precisa ser menos cético, e mais crédulo".

No termo EVANGÉLICO acontece a mesma coisa. Com zero aparições (isso mesmo, ZERO) na única vez que aparece uma derivação dessa palavra é no feminino, e trata da "FÉ EVANGÉLICA" (Filipenses 1:27), que em algumas versões é substituído pela expressão "fé do evangelho". Trata-se de uma recomendação de Paulo pela unidade da igreja em Filipo, a fim de que prosseguissem na mesma direção ainda quando ele não estivesse por perto.

Já o termo DISCÍPULO é o único substantivo autêntico, que designa aqueles que pretendem ser como Jesus. Claro que há um "peso" nisso. Proposital, claro.

Ser discípulo não é ir aos cultos, nem é ter seu nome num hall de membros. Não é ter um ministério (se é que alguém pode TER isso...) e nem mesmo é professar uma religião.

Mas o discípulo não é um agente secreto. Longe disso. Ele prega com suas atitudes. Adora a Deus com sua obediência e vive em função do propósito de Deus.

Enquanto vemos cristãos e evangélicos nominais (os famosos "não-praticantes"), o mesmo não acontece com os discípulos.

Quem é, é e ponto final. Ou é ou não é. Não existe discípulo desviado. Existe discípulo simplesmente. E quem não é discípulo pode ser encarado como "campo missionário", mas isso é assunto pra outro dia.

Paz a todos.